There is always more then meets the eye!

02
Jun 05
@ Um "desabafo de alma" de/por uma/uma leitor/leitora do blog :Tweety33!
Apreciem!


"Porquê?!" foi a pergunta que ela mais vezes ouviu ao longo de 20 anos.
Ouviu porque a fez a si própria. Ouviu porque lha faziam. Constantemente.
Primeiro, os amigos (um? dois? vários?!) a quem ela abriu um pouco - quase
nada, sempre a medo - a sua vida. Depois, à família dela e dele. Ou terá
começado por desabafar (a alma pedia ajuda!!) com a dele e só mais tarde com
a sua?!?! Já não se lembra... Nem interessa. Horas, dias, momentos tudo isso
ficou para trás. Não importam mais.
Porquê?!
Porque o amava.
Porquê?
Por vergonha.
Porquê?
Por medo.
Fases distintas de uma vida que gritava por liberdade. Mas os gritos dele soavam
mais alto. As mãos também. E deixavam marcas profundas. Os gritos. As mãos.
Porquê?
Porque ela o provocava - dizia ele. Dizia mas certamente não sentia. Só que
era mais fácil acusar. Culpa. Maldito sentimento que não nos deixa olhar a
vida de frente.
Não, não era culpa o que ele sentia. Era cobardia. Por isso acusava. Por isso
não se enfrentava a si próprio. -"Espelho, espelho meu... haverá alguém
mais culpado do que eu?!?!"
E se o "espelho" tivesse o dom de ver? Se pusesse a nu a sua alma? Pois,
assim sendo, melhor seria não perguntar nada. Não mexer na ferida. Nem na da
alma (sua e dela), nem nas feridas dela. Deixar que o tempo curasse e apagasse.
Sim, porque lá diz o ditado "que o tempo tudo cura". Havia de curar também
mais esta vez, e outra, e outra, e outra...
Porquê?
Porque já não aguentava mais. Desta vez, o corpo não tinha marcas, é
verdade. Mas ele enganara-se e enganara-a. O tempo só tinha cumprido a sua
função em parte. Só apagara as dores físicas. Não curara a alma dela. Não
lhe apagara (graças a Deus!!) a vontade de viver. E como ela desejava a vida.
Sentir paz e calma e tranquilidade... Nada disso ele lhe tinha dado. Pior,
tinha-a (quase) feito esquecer que era possível viver-se sem dor, sem medo,
sem raiva.
Quase... quase...
Porquê?
Porque ele não podia continuar a ganhar. A vida não é só perdas e ganhos.
Não pode ser. É partilha. É troca. É acreditar. Ele não acreditava. Ela
sim.
Porquê?
Porque a vida estava ali. Dentro dela.

@Autor: Tweety33
publicado por crowe às 17:42

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