There is always more then meets the eye!

09
Out 05

O céu estava cinzento!

As nuvens carregadas!

Ao longe trovoada quebrava o silêncio mudo da casa!

Quantas vezes tinha prometido que nunca mais iria chorar mais do que uma simples lágrima?! Já nem eu própria acreditava nas minhas promessas a mim mesma!

A casa estava vazia e apesar de abertas as janelas nada entrava!

A luz baixa, os sons do mar, os gritos das gaivotas… nada!

Fechei as janelas zangada… podia começar a chover de repente e assim podia entrar a chuva e eu teria uma casa cheia de …água… que não viesse dos meus olhos!

Olhei para a cama, muito bem arrumada e num acesso de raiva desfi-la! Amarrotei os lençóis, espanquei as almofadas, atirei o edredão para o chão… nada me sossegava! Atirei-me para cima da cama desfeita, dos lençóis amarrotados… e prendendo o choro adormeci…acordei com o som da chuva a bater violentamente na vidraça das janelas e com o som do telefone!

A Joana… vinha a caminho com o Pedro! M***da! Não queria ver o Pedro!

Disfarcei os olhos inchados e vermelhos o melhor que pude e acendi a lareira. Ouvi o carro chegar enquanto refazia a trança… Não queria ver o Pedro!

A Joana entrou tagarela e feliz como sempre e o Pedro olhou para mim, o olhar estava vazio como a minha casa até a chuva ter chegado.

Não conseguia olhar para ele… não que sentisse raiva!... Sentia fúria e culpa! Mas esses sentimentos eram meus, não dele, não nossos… meus!

Entre chás e scones… lá para o fim da noite lá percebi pelo olhar dele porque tinha vindo com a Joana! E aí sim, tive realmente vontade de chorar… mas lágrimas gordas, nada de fiozinhos de água… Lágrimas com conteúdo… Ele tinha aparecido para fazermos as pazes… depois de dias…

Depois de horas entre trocas de olhares…fizemos as pazes sem palavras…!

Chiça às vezes abomino mesmo ser mulher! A facilidade com que choramos e nos sensibilizamos… raios partam as hormonas! Mas às vezes, odeio os homens e a sua facilidade em racionalizar tudo e, aí, adoro ser mulher!

Mas… adoro, especialmente: o cheirinho a canela que vem da cozinha pela manhã quando ele está, a facilidade com que fazemos as pazes, a forma como comunicamos com o olhar e o modo como a minha temperatura se adequa à dele só por estarmos perto… Odeio sentir-me magoada com coisas tão pequenas como palavras ou a falta delas… não conseguir deixar de me sentir vulnerável… tão vazia e tão preenchida ao mesmo tempo por me sentir como sinto: enamorada!

Chorar como uma tonta, ralhar-me a mim própria para momentos depois sorrir como uma tonta muito tonta com os olhos brilhantes … A minha amiga Joana chamar-lhe-ia “relação entre homem e mulher: insondável, indissociável ” e eu questiono-me: Relação ou ralação?!

Não sei! O que sei é que quando as "janelas" estão realmente abertas entra sempre algo... mesmo que um simples som... Quando as fechamos... ficamos vazios! Não choramos mas também não rimos!

publicado por crowe às 19:30
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