There is always more then meets the eye!

15
Abr 09

@ Para a minha querida amiga Claúdia, que encontres sempre razões para sonhar a dormir ou acordada.

;) Tu conheces a magia... mergulha!

 

Tinha desistido de sonhar. Sonhar só servia para a frustrar ainda mais. Acordava e apercebia-se do quanto impossíveis ou inconcretizáveis eram os sonhos que tinha. A vida era já de si estranha o suficiente.
Ela conduzia-o a casa tentando ampará-lo e equilibrá-lo, as suas sandálias, aquelas que nunca lhe tinham parecido demasiado altas ou demasiado frágeis, ameaçavam a qualquer altura quebrar. A mão dele, excessivamente quente, descansava no seu decote balançando levemente com o movimento.
-Preciso da chave para abrir a porta.
Ao tentar chegar ao bolso dos jeans num movimento trôpego e desajeitado desiquilibrou-se caindo no chão alcatifado do corredor e levando consigo a sua companheira.
O riso dele era ébrio, o dela era surpreso. Com um dedo retirou-lhe uma madeixa da cara.

Ele passou o dedo pela minha face de forma tão suave que parecia uma carícia feita com um pedaço de seda. Seguiu um trilho imaginário até se aninhar na minha nuca e seu suspirei involuntariamente. Elevou a cabeça e parou junto aos meus lábios com os seus olhos brilhantes.
Ficou o beijo suspenso enquanto ele me acariciava a nuca lambendo o contorno dos meus lábios, os seus cílios longos por vezes beijando a minha pele.


Ela passou-lhe uma mão pelo torço, lentamente até chegar à zona do baixo ventre. Ele suspirava audívelmente  com o rosto escondido na curva do seu pescoço.
-    Aha!- Disse triunfante com um molho de chaves na mão. Pôs-se de pé num pulo e  enquanto abria a porta não viu o olhar frustrado e admirado dele.

O elevador estava cheio de gente como em todos os outros dias aquela hora da manhã.
A mão do homem a seu lado roçou a sua suavemente.

Não precisei olhar para saber que era ele. Retribuiu o toque sem o olhar. Todos olhavam em frente e ninguém reparava em nós no fundo do elevador. Senti uma mão no interior do meu blazer. Estúpidamente senti arrepios por todo o corpo enquanto ele continuava a deambular pela minha pele.
Ele sussurou-me ao ouvido que saísse com ele. Respondi-lhe que saísse ele comigo. Uma morena enorme sorriu-lhe quando ele passou por ela e senti despeito. Ele sorriu-lhe e ela foi. Saiu atrás dele.


O sangue saltava-me nas veias como se tivesse vida própria e quisesse sair num disparo pelos orifícios do meu corpo.
Nada me acalmava, rebolava pela cama já desfeita e os lençóis eram um emaranhado de rugas e vincos. Liguei à Alice que como sempre se encontrava numa festa. Não me apeteciam as festas da Alice, hoje não.
Mas acedi a ir buscá-la e vir trazê-la a casa. As cargas etílicas já deviam ser em maior quantidade que o seu sangue... decidi dar descanso à cama!
Ir buscar pessoas ébrias parecia ser o seu fado.
Depois de  esperar imenso à porta do Plateau lá acabei por entrar à procura dela. Felizmente era uma madrugada fraquinha e encontrei a sua cabeleira ruiva com facilidade.
Entre um vamos lá dançar mais esta... e depois a outra ficámos a vaguear no soalho de madeira entre uns e outros olhos de estranhos que se fixavam e desapegavam.
O meu vestido esvoaçava em volta da minha pele como se fosse um parceiro que se colava mas não apertava. Dançávamos em sintonia perfeita até que me deparei com uns olhos verdes e brilhantes do outro lado da pista. A sintonia era outra e fiquei refém daquele brilho. Ele começou a deslocar-se na minha direcção. A Alice sussurou - me que queria ir para casa. Quando voltei a olhar o seu lugar estava ocupado por outra pessoa.  Sentámo-nos um pouco e ele juntou-se a nós.


Aquele grupo conversava animadamente. Ele bajulado por várias só olhando para ela como se se tratasse do fruto proibido.
Cobiça, desejo...Paixão!Quando se levantaram os lábios roçaram acidentalmente...

Quando abri os olhos a luz começava a penetrar no quarto por entre as frestas das janelas. O interior parecia uma imagem a sépia. O único ponto de cor eram os olhos dele que me fitavam molengões. Esticou-se e espreguiçou-se como um felino e o lençol descia pelo seu torço. Fiquei assim a retribuir o olhar até que adormeci novamente.

Na tarde seguinte, entrei no elevador com os óculos maiores que tinha. Doíam-me todos os músculos do corpo e o meu cabelo cor de beterraba ainda insistia em ondular. Sai do elevador a procurar um  cigarro na mala quando esbarrei em alguém. Por entre as enormes lentes negras lá estavam eles: os olhos verdes. Entreabri os lábios para lhe pedir desculpa e ele beijou-me e sorriu. Amei aquele beijo e esqueci o cigarro.

Naquela tarde  dormi bem e não sonhei. Não porque não quisesse mas porque não precisei.






 

 

publicado por crowe às 22:41
tags:

hmmm há sempre razões para sonhar :)

Bonito conto este corvita...

Beijos
PrincesaVirtual a 20 de Abril de 2009 às 12:21

Até me arrepiei com o que me escreveste e tu já sabes disso!
Adorei,adorei,adorei,adorei...amei!!!
Claudia Meireles a 6 de Maio de 2009 às 23:10

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