There is always more then meets the eye!

30
Dez 08



“You got what you need”... levantei-me de um salto quando o rádio iniciou o despertador. Ainda era noite cerrada, raios era sábado... tinha-se esquecido de o desligar?!  Oh destino estranho! Com tanta música para a acordar a meio da madrugada tinha que ser aquela! Claro que sim, com o seu estranho fado só podia mesmo. Colocou-a mais baixo e aninhou-se no edredão ouvindo a chuva que caia de mansinho! Tinha ido levar a Sara, a prima dele, ao aeroporto naquela noite. Continuavam a trabalhar juntas mas em escritórios diferentes. Mas sempre tinha dito que queria ir morar uma temporada a Londres, não podia queixar-se certo? Estava a concretizar velhos sonhos, a atingir os seus objectivos. Lamentava o momento em que os poderes do universo ou que raios eram se tinham unido para me fazer feliz profissionalmente. O telefone tocou. A Sara já tinha chegado a Lisboa, ia já a caminho de casa. Ouvi a musica que tocava no auto-rádio: Morcheeba. Ia no carro do primo de certeza. Não fiz comentários, desejei-lhe uma boa noite e combinei falar com ela na segunda-feira quando voltasse ao escritório. Senti uma picada de remorso. Podia ter ficado em Lisboa com ele. Nada me obrigava a ter ido aquele ano para o escritório de Londres mas não podia desperdiçar a oportunidade para tentar um namoro com um homem seis anos mais novo. Poderíamos ter mantido a relação que tínhamos mas ele tinha ficado profundamente magoado comigo. Era tudo ou nada. Lógico que não esperava que ele ficasse um ano a minha espera ou tivesse comigo um relacionamento a distância mas continuava apaixonada por ele e senti saudades de tudo, especialmente de o ver acordar estremunhado com o seu relógio Diesel de ponteiros florescentes.
Estava a adormecer quando o telemovel tocou. Numero privado, o coração deu uns pulinhos e pensou que talvez ... atendi sem fôlego. Era a Sónia, estava em casa da Sara. Estavam a ver as fotos da viagem. Como estavam as duas a falar ao mesmo tempo disse-lhe que pusesse em voz- alta. Assim falaríamos todas. Sorri e pensei no quanto tonta tinha sido. Depois de quase quatro meses ele não ia ligar-me so porque me tinha visto de passagem uma ou outra vez quando estava em vídeo- conferencia com a Sara. Ninguém tinha tido conhecimento do nosso relacionamento e aparentemente este continuava no segredo dos deuses.  A Sónia mencionava a minha falta de fôlego ao atender o telefone e insinuava que de certo eu teria companhia. Ri-me.
-    Sónia, juro que tenho sido mais casta estes últimos meses que uma virgem. Tenho sido tão bem comportada que qualquer dia ou entro em combustão espontânea ou tenho o meu hímen de volta.- e rimos todas.- Mas que fazes tu ai, foste buscar a Sara?
-    Não, o primo foi busca-lá! Mas agora conta lá a história desses desamores. A Sara disse que tens uns amigos muito interessantes. Aliás estão aqui nas fotos com vários. Conta lá tudo desembucha anda.
-    Que queres que te diga? São bonitos e interessantes. Uns são colegas de trabalho outros amigos dos copos. Saímos e divertimo-nos. Não tenho interesse em nenhum dessa forma nem vice versa. Agora quero saber quando cá vens!
-    Hum pois... Até parece que o Connor não te manda flores todos os dias. Quando lhe falei em tulipas nunca mais te mandou mais nada durante a semana. Há tulipas em todo o lado lá no escritório as secretarias adoram-na de tanta flor que recebe. Ela nem lhe liga Sónia dá pena. Que desperdício de homem bonito.
-    Aiiiiiiiiiii, deixa lá de me arranjar namorado. Não tenho e não quero.- Exasperei. Não me apetecia aquela conversa depois da musica que me acordou aos berros. – Estou cheia de sono e tenho planos para o pequeno-almoço. Falamos amanhã?
-    Está bem, afinal são 3 da amanhã!
-    Cá são 4 meninas. Deixem-me dormir. Beijos imensos adoro-vos!
-    Beijinhos nossos. E... ah... o meu primo manda-te um beijo!- acho que o meu cérebro emudeceu de espanto e a minha boca não se mexia. Ouvia-a falar com o primo mas nem descortinava nada.
-    Hum... para ele também!
-    Ah não me pediste nada disso. Não vais nada pedir-lhe...- falava com ele não comigo.- Olha vou passar-lhe o telemóvel.
-    Ana! Olá!- era mesmo, mesmo, mesmo ele.- Como estás?- percebi que tirou o telefone de alta voz.
-    Bem obrigada e tu?- percebi que elas riam e conversavam, mas, as vozes estavam a distanciar-se e pareceu-me ouvir uma porta fechar.
-    Contente por te ouvir.- a voz dele era terna.
-    Ah sim?! Se te apeteceu conversar porque não ligaste antes?
-    Sabes bem porquê!- pausou.- A Sara diz que te estás a dar bem ai... pareces ter vivido ai toda a tua vida. Parece que tomaste a decisão acertada então.
-    Sabes uma coisa? São 4 da manhã e tive uma semana dificil, não me apetece falar por charadas. O que queres saber exactamente?
-    Vou para Nova York amanhã e daqui a uma semana estarei em Londres... na sexta-feira à noite. Podemos ver-nos?- fiquei muda de espanto e contente. Tinha mesmo saudades de o ver. Perante o meu silêncio:- Sinto mesmo a tua falta. Queria só estar contigo.
-    Liga-me. Tenho sempre um carro à disposição aqui, posso ir buscar-te ao aeroporto se quiseres. Precisas de alguma coisa... mais?
-    Oh não estás a pedi-lhe que compre coisas pois não? Trouxe já imensa coisa para aquela tua namorada chata. – Ouvi a prima dizer-lhe. Senti ciúmes e fiquei furiosa. Passámos horas infindáveis no Harrod’s e em todas as lojas de Sloane Street. 
Well done me.
Mas de que iria eu queixar-me? Eu tinha sempre recusado uma relação com ele, tinha-me vindo embora mesmo depois daquele gesto incrivelmente romântico. Ia queixar-me por ele seguir o meu conselho e ter deixado que a vida continuasse? Por ele ter sido humano? Sabia que não devia queixar-me mas senti ciúmes e dor... uma dor estranha... mas disfarcei e aparentemente muito bem.
-    Va lá Sara! Há algumas lojas que ainda devem ter algumas coisinhas por vender. Além disso não custa nada dar um pulinho com ele ao Harvey Nichols! Farei dele o namorado ideal...
-    Hã?
-    No que diz respeito a prendas caras claro!- rompi numa gargalhada e tive vontade de contra-atacar com o Sean mas... afinal tinha 31 anos bolas.- Vem em paz meu caro e traz a lista, eu levo-te a umas lojinhas e depois... bem, meninas e menino... vou dormir um bocadinho... tenho um dia cheio amanhã.
...
A semana passou a correr comigo a pensar que raios ia fazer com ele em Londres. Mandou-me uma mensagem na sexta-feira a meio da tarde dizendo o numero do vôo e o horário. Fui o mais cedo que pôde para o aeroporto não fosse o trânsito pregar-nos uma partida, estava nervosa como se fosse uma debutante. Estava com o meu habitual termo de café na mão quando o vi. Seria possível que estivesse ainda mais bonito? Trazia um dos seus jeans desbotados e uma das camisas que lhe tinha oferecido... “O Diabo vestia Prada”. Sorriu-me, se já me parecia que o coração ia saltar pelo decote com aquele sorriso tive certeza de sairia disparado. Abraçamo-nos e com os cumprimentos ditados pela boa educação. Eu franzi o sobrolho. Caminhamos para o carro falando da sua viagem e de Nova York.
Cáca de conversa! Quando entramos no carro do sempre bem humorado Roy disparei:
-    Acabando com a conversa de chacha... Vais dizer-me então onde ficas hospedado? E porquê tanta questão em estarmos juntos? Quererás uma cartinha de referencia para a namorada?
-    Ex-namorada!- riu-se despenteando o cabelo já de si desgrenhado.- Só cá fico esta noite. Tenho um vôo às 8 da manhã.Não era o acertado. Podes deixar-me num hotel que conheças? Tinha pensado no Ritz... se tiveres disponibilidade poderíamos jantar.
Assenti, iríamos jantar, com aquela corrente electrica entre nós iluminaríamos a sala de qualquer lugar. Levei-o ao hotel e marquei mesa num dos meus restaurantes favoritos: O Maze, enquanto esperava por ele. Voltamos ao carro e o espaço parecia-me cada vez mais apertado, tinha calor...
Jantamos e conversamos como velhos amigos mas, na minha cabeça o filme era outro e só uma bolinha vermelha não chegava. Pediu-me que o deixasse no hotel. Assim o fiz completamente contrariada. Aparentemente aquele encontro servia para uma coisa: ele mostrar-me o que tinha perdido. Raios, voltei atrás! Quando ele abriu a porta entrei sem dizer nada. Beijei-o e entrei literalmente em combustão espontânea. Raios de miúdo que me deixava fora de mim e não me saia da cabeça. Quando acordei ele já se tinha levantado e estava a preparar-se para sair. Os papeis invertiam-se. Beijou-me muitas vezes em despedida mas nenhum dos dois disse nada.
Passei o fim-de-semana melancólica e durante a madrugada levantei-me várias vezes para ligar-lhe mas não o fiz. No Domingo à noite quando chegava de um passeio percebi que alguém se mudava finalmente para o apartamento do lado.  Todas as tardes quando chegava começava a musica. Parecia uma serenata para mim, era uma idiotice eu sabia mas se ouvia uma musica no dia seguinte ela tocava ou tocavam musicas de que eu gostava. Não que os novos inquilinos pudessem saber dos meus gostos musicais mas a realidade é que parecia. Nesses momentos sentia ainda mais saudades dele, do Duarte, e várias vezes pensei em ligar-lhe. Estava  a ficar louca!
O seu carro estava a dois lugares da minha mota. Era um audi descapotável igualzinho ao que ele tinha. Fazia um som de gato a ronronar quando começava a trabalhar.
Aquelas serenatas continuaram na semana que se seguiu e tive mesmo que lhe ligar quando tocou rolling stones, o que toda a semana parecia um mote. A realidade é que até me parecia sentir o cheiro dele no hall. Louca, mas mesmo louca! Porque me tinha ido eu meter na cama dele outra vez?! Não me saiam as imagens da cabeça e as sensações do corpo.
Ele atendeu  e eu sem conseguir controlar a língua pedi-lhe que fosse meu namorado.
-    Namorado? Hum, mas que mudança...
-    Não sei como resolver isto ainda me faltam uns meses aqui mas nem que passe os fins-de-semana em viagens de um lado para o outro... acho... sei... que preciso mesmo de ti! (tinha custado muito a dizer) Raios sinto o teu cheiro em todo o lado no meu prédio e nunca estiveste aqui.
-    E da musica, gostas da musica?- A campainha tocou.
Não podia ser ele... corri para a porta. Ele estava lá de iphone na mão. Atirei o meu para o chão e saltei para o colo dele. Entramos aos beijos e quando me pousou no sofá agradeci pela primeira vez a sua dimensão. O vestido subiu e as cuequinhas desapareceram em segundos. Parei-o.
O Olhar dele estava confuso e toldado.
- Vamos para tua casa!- e comecei a levantar-me. Andando para a porta.
- Mas, porquê?- mexia no cabelo desgrenhado e compunha as calças.
- Porque quero acordar contigo. A partir de agora passamos mesmo as noites juntos. Queres dormir comigo?
Enquanto saíamos de um apartamento e entravamos noutro o Jagger cantava:

You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you just might find
You get what you need

You get what you need--yeah, oh baby
 

publicado por crowe às 22:28
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Que as realizações alcançadas este ano sejam apenas sementes que serão colhidas com maior sucesso no ano vindouro.Um Feliz Ano de 2009.
Beijos cristalinos
Cristina
Cristal a 31 de Dezembro de 2008 às 13:15

Ora ora...e não é qiue ficou perfeito :D

se bem que tb teria gostado de um bom thriller no fim ehehe tipo ele a morder-lhe o pescoço...

Um exelente ano para ti e para os teus.

Beijinhos de MIM... ( hoje não mando da Princesa :) )
PrincesaVirtual a 31 de Dezembro de 2008 às 16:58

heheheheeh ena pah o gajo foi macaco :P isto é q é fazer uma mulher trepar pelas paredes heheeheheheheheheh
Passo a 2 de Janeiro de 2009 às 12:07

Bem eu estava à espera da continuaçao da "Neblina" mas foi uma surpresa agradável... Está excelente... Adorei...
As palavras da minha vida a 12 de Janeiro de 2009 às 22:06

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