There is always more then meets the eye!

16
Dez 08

A imensa neblina percorria a avenida como um dragão de fumo, serpenteando, envolvendo e engolindo tudo em seu redor.
Ficava lindo assim, perdido em plena avenida; deserta de gente, repleta de vapor de água.
Rodopiava em volta do seu novo amor, aquele, jurava: é para sempre!
Enquanto ele e o seu amor iam desbravando caminho por entre a neblina nós, os restantes elementos do grupo íamos andando encolhidos, ensonados, risonhos, felizes, preocupados até ao destino: a casa da Teresa!
Todos os anos nos juntávamos em casa de alguém e por lá acampávamos dois dias. Assim nos mantínhamos em contacto desde que tinha terminado o liceu. Sempre os mesmos, com uma adição de namorado ou namorada. Era a nossa tradição de final de ano, estarmos juntos antes de o ano acabar.
O Tiago colocou-me o braço na cintura num abraço ternurento e despenteou-me o cabelo. Olhei para ele e sorri-lhe.
-Como reages ao que vês?
- Hum... boa questão sr. Jornalista! Sem reação! Já sabia que ele trazia companhia, ligou-me a semana passada. Foi simpático!
- Mas que atencioso. Soube que se têm encontrado...
- Sim, continuamos a morar na mesma rua. Encontramo-nos no café quase todas as manhãs. Apesar de todo este tempo continua a ser desconfortável, mas a vida não pára só porque  sim...
-  Nesse caso amiga, durante estes dias tomo conta de ti. Quando precisares de umas escapadelas dizes. – piscou-me o olho.
Reconfortava ter amigos, mas ter amigos em comum com um ex que também o havia sido era, no mínimo, difícil.
Aquele seria o último ano em que estaríamos os 8 todos juntos. A Teresa ia para África em definitivo. Era importante estarmos juntos e bem. Coloquei a minha cara de felicidade,tinha ainda muitos dias pela frente. Podia guardar a imagem dele perdido na neblina e apagá-la da foto. Doentio? Talvez mas não se apagam sentimentos nem anos de memórias e vida partilhada. Ia passar, ou desvanecer como todas as coisas até ali. Talvez a neblina se quisesse enroscar nelas e devorá-las. Chegamos a casa da Teresa que já nos esperava irrequieta com o comando da garagem na mão.
-    O nascer do sol foi à 1hora atrás. Estão todos atrasados!
Entre uns risos e umas reclamações lá nos dividimos pelos dois carros, atirando sacos e malas para as bagageiras.
Felizmente fui num carro sem ele e sem a sua ela. Dormi até chegarmos, andava encantada e a devorar as páginas de um livro recomendado por uma amiga e a dormir pouco tal a vontade de o terminar. Vim carregada com ele e as suas continuações porque era certo e sabido que livro que se vendesse bem teria sempre, pelo menos, mais dois em continuação e em caso de adaptação cinematográfica podia chegar aos 7.
Este ano ficaríamos 3 dias na serra para podermos desfrutar melhor. Era difícil voltar a repetir-se  este nosso “ajuntamento”.
Como sempre, uns ficavam a lareira enquanto outros iam fazer as suas actividades radicais. Era sempre assim no primeiro dia.
Fiquei com a casa para mim e aproveitei a calmaria para terminar o meu livro. Entre umas espreitadelas à comida que assava no forno e o pão que acabava de cozer ia lendo deliciada. Eles chegaram esfaimados e sujos e eu tive vontade de ter deixado queimar qualquer coisa no formo a lenha para não conseguir olhar para ele com ela. O riso pós coito que eu tão bem conhecia e aquele olhar. Era muitíssimo karmico se tivessem  uma alergia provocada por umas ervas daninhas venenosas. Mas apostava que não.
Sabia que ele conhecia todos os meus gestos de frustação, os meus tiques e trejeitos. Ia inovar. Enfiei-me na casa-de-banho e só sai de la quando o Tiago ameaçou entrar para tomar banho comigo.
Comemos em imensa confusão e eu abusei do vinho. Ele olhava para mim como se pedisse desculpa com o olhar e dissesse que a vida teria de continuar.
Olhei para o Tiago e ele percebeu.
Vestimos os casacos e enfiei um gorro e as luvas e saímos os dois. Ele ficou a olhar para mim. Sempre tinha sentido ciúmes da minha cumplicidade com o Tiago e dizia-o com o olhar .
Que merda! O nevoeiro devia ter vindo connosco desde Lisboa, no meu caso devia ter vindo junto aos meus olhos cegando-me.
Andamos pelo jardim em silêncio e fomos sentar-nos junto à piscina. A água estava apetecível. Sabia que a Luisa a mantinha sempre a temperaturas tipo caldinho de sopa.
-Vamos?- perguntei ao Tiago.
- Para casa?- parecia confuso. Acenei em direcção à piscina.- A sério? Com este frio?
- Eu vou. Está quente.- e comecei a tirar a roupa.
Cachecóis, luvas, casaco, gorro, botas, meias, calças, camisolas. Mergulhei de cabeça.
Depois do frio quando me despi aquele manto morno e suave parecia uma manta de carícias. O Tiago entrou atrás de mim.
Riamos tontos.
Ficamos a conversar, entre uma brincadeira e outra encostados à margem.
O cabelo dele brilhava com reflexos dourados. Parecia uma halo.
- Ficas com um ar divino com essa luz!
- De santo não tenho nada. E tu também não endemoniada rapariga.
O Tiago, tal como eu, tinha terminado uma relação longa havia alguns meses e tal como eu estava fragilizado. Era um amigo muito querido tal como o surgiu das brumas. Maldito António, surgiu na beira da piscina por entre a neblina que o calor da água a evaporar provocava em contacto com o ar frio da serra. Trazia cara de conversa séria a questão era com quem a teria ou se já a tinha tido.
Despiu-se e entrou na água. Com um olhar o Tiago riu-se e foi embora a pingar. Ok a conversa seria comigo.


 

publicado por crowe às 22:54
sinto-me:

Estou ansiosa a espera da continuaçao...

devorei este post...

está excelente..
As palavras da minha vida a 17 de Dezembro de 2008 às 11:44

Hum... noto diferenças... E também gosto assim :-)
Não consegui ler tudo (sorry) porque vim assim mais rapidamente deixar este convite:


À semelhança do que já ocorreu em 2006, venho convidar a que participes este ano no postal de Natal a enviar a algumas instituições de solidariedade.
Vem, dá a tua sugestão de 5 instituições e deixa a tua mensagem para ser agregada ao postal a enviar.
Temos até Domingo para o deixar pronto, para que na 2ª feira o possa colocar nos CTT.

Beijo doce
Sutra

ps - não sou muito disto de 'copy/paste' mas, no caso presente é a única hipótese de deixar o convite a todos.
Sutra a 17 de Dezembro de 2008 às 14:31

Vou ficar á espera pelo desenrolar da historia...
Beijos
Cristal a 18 de Dezembro de 2008 às 17:18

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