There is always more then meets the eye!

24
Jul 06
Lisboa, 24 de Julho de 2006

Olá!

Escrevo-te hoje para te dizer aquilo que poderia ter-te dito em tantos outros dias mas, hoje, o tempo parou enquanto penteava o cabelo e fazia uma trança.
Andei pela casa, sai para a minha reunião e quando depois de mil cafés, já sentada na sala de reuniões pus a mão a trás das costas e senti o fim da trança. O meu cabelo está do tamanho do teu. E lembrei-me de ti e do cheirinho a sabão do teu cabelo!
Lembrei-me daquelas vezes, parcas, em que te abraçava a cintura e levantando um pouco o braço te tocava no fim da trança e sentia a maciez do teu cabelo!
Passei o resto da tarde assim a lembrar-me de ti e a imaginar que aquele pedaço de fim de trança era o teu!
Enrolei a trança num coque como costumavas fazer mas faltava-me a tua “penteadeira” ou o teu “travesseiro”.
Perguntei a tanta gente por elas... acho que nenhuma resistiu.
Liguei à minha mãe e perguntei-lhe pela tua camisa branca com florinhas pequeninas. A que tinha uma gola branca sem goma e que usavas para ir às missas de Domingo... Lembras-te dela? Ninguém sabe dela!
Apetecia-me tê-la!
Hoje senti-te em cantos e recantos e “cheirei-te” quando abracei o meu pai e ele, que nem desconfiava, me disse: “Então, Rosinha... a relembrar?!”
Brincou com o meu cabelo, penteado quase igual ao teu e dizia “falta-te o travesseiro”...
Rosinha era o que me chamavas desde que fiz 12 anos! Lembro-me da primeira vez que mo chamaste, tinha uma saia preta e uma camisola preta às riscas cor-de-rosa, estavas a sair do carro da tua filha e vinhas para a minha casa. Dei-te um abraço grande e tu retribuíste com um muito maior. Chamaste-me a tua Rosinha e fiquei sempre a ser, a tua Rosinha... até ao fim... eu era a flor de que mais gostavas.
Adeus e até “para sempre”
Um beijo sossegado e um abraço apertado da neta que nunca te ensinou a ler mas sabe de cor os teus cheiros e gestos!
Um miminho no fim da tua trança, ninguém a tem como tu tinhas e em mim será sempre única...
Da tua,
Rosinha
publicado por crowe às 22:52
sinto-me:
música: O Silêncio

Misterioso Post...entrelacei-me nos tranças do teu texto. Boa semana ;)
Tacitus a 25 de Julho de 2006 às 16:30

Obrigada Tacitus...
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:27

Ai a avozinha... que nos dá ou deu carinhos em silêncio, sem nada querer saber... que fazia doces incriveis... que... tanta coisa...

Beijos mil em ti, GIRA :)
Lobaaaaaaaa a 25 de Julho de 2006 às 19:38

Fantásticas as avós! beijo mil e quinhentos ;)
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:28

Gosto destes contos...destas histórias. Quase que sinto o cheiro a sabão. Beijos corvita :)
PrincesaVirtual a 25 de Julho de 2006 às 19:49

ta visto que serei corvita até... Agradecida Princesa!
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:29

Que saudades eu tenho da minha avózinha , era para ela a menina dos seus olhos.....
Lindo... beijinhos
Cristal a 26 de Julho de 2006 às 07:55

Aieee que saudades tremendas... mas como só sentimos saudades daquilo que nos marca... mesmo triste é bom sentir saudades... a melancolia ajuda a relembrar e valorizar
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:30

Olá passarita ... faltam coisas na minha vida, faltam estes cheiros, estas recordações e estas imagens, porque nunca tive o prazer de conviver com os meus avós. Encantou-me este teu texto pelo carinho que dele emana, pelas vivências que nos dás de uma saudade tão nossa, de um sentir tão humano...
Um beijo grande, a gente vê-se por aí...
homem de negro a 26 de Julho de 2006 às 09:48

São realmente algumas das recordações mais fortes que ficaram da infância: o cheiro das minhas avós e o quanto bom era entrar na cozinha delas... ou ficar ali a vê-las cozinhar para um batalhao de gente sempre a cantar e sempre... a serem:elas! fui uma felizarda tenho noçao... aprendi com duas das melhores mulheres...
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:34

Sinto-me uma felizarda por ter conhecido todos os meus avós... E tive-os a todos comigo até a uma fase já adulta... Hoje, infelizmente, já não tenho nenhum deles comigo... Deixo um beijinho a todos eles, neste dia que lhes é dedicado, e a todos os avós... Gostei muito do texto... Também me lembro das tranças e do cheiro a sabão que se desprendia das tranças... dos mimos... dos doces do Natal e da Páscoa... É um privilégio ter avós! Beijo.
Essa_Miuda a 26 de Julho de 2006 às 12:43

é realmente Miúda ! sábias palvras
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:31

Que história bonita crowe.. e um corvo 'rosinha' deve ser um corvo especial...


Rats a 26 de Julho de 2006 às 20:34

gosto de pensar que sim... pelo menos para a minha avó era!
crowe a 27 de Julho de 2006 às 12:32

Hmmm.. À primeira vista visual do olhar, pareceu-me uma página digna de visita (com mais tempo...) mas nos entretantos das entrelinhas, esse seu nick fez-me lembrar uma prof que conheci "virtualmente"... Será a mesma pessoa??...

Cumprimentos.
Sandman a 31 de Julho de 2006 às 13:49

Pois Sandman sou mesmo eu! ;) obrigada pela visita
abraços
crowe a 5 de Agosto de 2006 às 14:51

Crowe zinha , ainda bem que vim hoje ler-te. Gosto muito de te ler, mas hoje, em especial, nem sei bem porquê...fiquei com um nó ao ler-te. Apenas conheci uma avó, mas nunca criámos laços. Ler-te hoje, fez-me pensar como tudo poderia ter sido, se tivéssemos sido próximas. Sorte a tua que tens forma de a envolveres em recordações tão doces, porque são essas que superam as ausências , quando os carinhos já não são possíveis . Ai ai aiiiiii gostei mesmo muito muito muito de te ler. Gosto de ti para xuxu ! :)
Beijos nas penas, e um abracinho nas asas... :)
igara a 1 de Agosto de 2006 às 17:10

o teu comentário foi mais mimoso que uma festa na trança... beijos para xuxu... abracinhos, abracinhos meiguinhos... ;) eu tambem gosto de ti =)
crowe a 5 de Agosto de 2006 às 14:53

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