There is always more then meets the eye!

16
Jun 06
Estou com crianças todos os dias e com adultos também (uns porque tem mesmo que ser, outros porque não lhes posso escapar e outros porque :) sem eles não posso passar). Pois bem, penso que é do conhecimento geral a vontade voraz que os miúdos têm de ouvir estórias sobre as trepolias que faziamos com a idade deles, como eram as coisas e tudo o resto que aquelas cabecinhas se vão lembrando. E eu contei-lhes à uns dias como eram as minhas férias de Verão...e ao contrário do que é costumeiro as boquitas deles ficaram fechadinhas... Aquilo incomodou-me e perguntei-lhes se não tinham percebido ou se queriam mudar de tema. A resposta veio do mais pespineta... coitadinha de mim que tinha de sobreviver na aldeia quase dois meses, sem internet, televisão por cabo... etc... Contei a conversa a uma amiga que teve uma filha recentemente e ela olhou para mim de olhos arregalados e perguntou-me como iria a filha dela reagir quando tivesse idade para conversarem sobre estas coisinhas pequenas que marcaram a nossa personalidade e moldaram a nossa forma de ser e ver o mundo! E ela tinha razão... pensemos em conjunto: §quando dizemos que iamos para a "terra" dos nossos pais- temos mesmo de lhes explicar que não era casa de férias nem time sharing da família mas sim a aldeia de onde os nossos progenitores são oriundos. §quando lhes dizemos que andávamos descalços no meio da mata ou do pinhal a correr como uns loucos- ele fazem uma caret de dor e de desdém.. §quando lhes explicamos que tomavamos banho o ribeiro, riacho, rio, lago ou qualquer outra poça de água com a roupa do corpo ou em cuecas (quando não era em pelota) - Os rapazes ficam maravilhados mas acham algo de estranho, as raparigas olham-nos como se fossemos tresloucadas. §quando lhes dizemos que levámos com o chinelo e erámos castigados a sério por fazer disparates ou ter dito algo menos agradável(para o gosto requintado) à nossa professora- eles respondem logo e quase em uníssono: NÃO SE PODE BATER NAS CRIANÇAS! §quando lhes dizemos que só havia um televisão em casa e só existiam dois canais- ele passam-nos a mão no cabelo e dizem: coitadinhos eram todos pobres! Iam à Worten, lá as tv são baratas! §quando lhes dizemos que só no Verão podiamos estar na rua até tarde a jogar à apanhada e às escondidas, enquanto as mães conversavam umas com as outras, e nem pensar em ir para bares, cafés ou outros que tais- com esta aniquilamos a imagem cool que poderiam ter nossa. §quando lhes falamos dos tombos que demos a experimentar os carrinhos de rolamentos que contruimos ai sim acabámos de aniquilar qualquer hipótese destes miúdos algum dia nos acharem normais novamente. Mas nem tudo é mau... ou nem tudo é bom((e eis que este não era nada mau tema para este post!!!))... Apesar das experiências que alguns tivemos e hoje muito dificilmente se proporcionam a uma criança nem todas as pessoas da nossa idade e/ou geração são boas, têm êxito ou estão a educar os seus filhos de forma a eles serem o futuro (decente) deste país. Alguns são verdadeiras nódoas num pano. Agora eu pergunto-me: O que será amanhã? O nosso futuro, as gerações que ai vêm... como serão? Aqueles que têm tv no quarto com 50 canais, alguns deles só de desenhos animados, consolas (portáteis e não só), acesso indiscriminado à Internet, saidas à noite para onde querem cada vez mais cedo, alérgicos a tudo o que há na natureza, odeiam vegetais e hortaliças (mais do que nós odiavamos sopa)... bem o que será amanhã? Se hoje trocámos o confessionário pelo sofá do psicologo, o ombro de um amigo pelo palavreado semi-ébrio de um Barman ou os comprimidinhos de um psiquiatra e a alegre converseta por horas à frente de um computador num chat? Não preciso dizer-vos que anseio por ver no que dá...e esperançosamente espero que sejam melhores do que nós!... Acima de tudo desejo que sejam felizes e oiçam poucos NÃO!... esta palavra é muito pouco usual nos novos dicionários! Mas adoro-os... eles estão a experimentar aquilo que tantas vezes desejei que fosse inventado enquanto me escondia no meio do feijoal na horta da minha vizinha, a ser picada por melgas e a manter-me muito quieta para conseguir "salvar todos" num jogo de escondidas enquando rezava às estrelinhas todas que a minha vizinha não percebesse que tinha sido eu a danificar-lhe o feijoal... lol ou a minha mãe não me deixava ir para a terra do meu pai, não podia ver os desenhos animados meia hora e brincar na rua? Ui isso nem pensar! Mas sejam felizes para quando eu tiver cabelinho branco ainda existir mundo ((menos psiquiatras)) e eu poder aprender mais umas coisas sobre os computadores(se ainda os houver) e ouvir-vos contar as estórias da vossa infância aos vossos filhos e ver neles a mesma expressão que hoje vejo na cara das crianças e dos adolescentes!
publicado por crowe às 20:59
sinto-me:

O computador não sei, mas televisão torna-(n)os amorfos: as ideias já saem de lá totalmente fabricadas, nem é preciso pensar. Cumpts.
Bic Laranja a 18 de Junho de 2006 às 12:28

Confesso que tenho tenho vindo a adiar a colocação de um comment neste post porque... bem, porque estava a ponderar bem o que dizer. È que... estou de acordo com a "direcção ideológica" do discurso. Faço dsso bandeira às vezes. Mas no que toca à minha filha... fraquejo frequentemente e permito que ela seja inumeras vezes o espelho daquilo que considero não dever ser o correcto. Mea culpa. A eterna vontade que eles tenham o que nós não tivemos... e o que eles querem ter é o que os amigos têm... o que os amigos comem... o que os amigos vêm... e fraquejo... fraquejo muitas vezes... Tento passar a mensagem mas na práctica sou mais muitas vezes mais um na orda dos consumidores.
Bjnhs
Vlad a 19 de Junho de 2006 às 13:29

Confesso que tenho tenho vindo a adiar a colocação de um comment neste post porque... bem, porque estava a ponderar bem o que dizer. È que... estou de acordo com a "direcção ideológica" do discurso. Faço dsso bandeira às vezes. Mas no que toca à minha filha... fraquejo frequentemente e permito que ela seja inumeras vezes o espelho daquilo que considero não dever ser o correcto. Mea culpa. A eterna vontade que eles tenham o que nós não tivemos... e o que eles querem ter é o que os amigos têm... o que os amigos comem... o que os amigos vêm... e fraquejo... fraquejo muitas vezes... Tento passar a mensagem mas na práctica sou mais muitas vezes mais um na orda dos consumidores.
Bjnhs
Vlad a 19 de Junho de 2006 às 13:29

Confesso que tenho tenho vindo a adiar a colocação de um comment neste post porque... bem, porque estava a ponderar bem o que dizer. È que... estou de acordo com a "direcção ideológica" do discurso. Faço disso bandeira às vezes. Mas no que toca à minha filha... fraquejo frequentemente e permito que ela seja inúmeras vezes o espelho daquilo que considero não dever ser o correcto. Mea culpa. A eterna vontade que eles tenham o que nós não tivemos... e o que eles querem ter é o que os amigos têm... o que os amigos comem... o que os amigos vêm... e fraquejo... fraquejo muitas vezes... Tento passar a mensagem mas na prática sou mais muitas vezes mais um na horda dos consumidores. Bjnhs
Vlad a 19 de Junho de 2006 às 13:30

Peço desculpa pelo triplicado
@#&*##**** o sapo!!
Vlad a 19 de Junho de 2006 às 13:32

Não peças desculpa combina antes uma caçada ao sapoide... eu participo! ;)
e percebo-te muito bem... sei que é mais fácil toda a teoria mas na prática... mas enquanto ponderamos as questões a eas dicutimos já estamos a mudar coisas e isso é muito importante!
beijocas
crowe a 19 de Junho de 2006 às 18:46

Antes de mais um «bom» post (as usual). Não sou uma pessimista, acredito nas novas gerações e nas nossas crianças.
Não podemos de forma nenhuma vencer o «presente» e muito menos viver no «passado». Por isso faço uma aliança com o «presente» e um compromisso com o futuro.
Ou seja que as nossas crianças usufruam do presente (tal como nós o fizemos no passado) e que os pais de hoje tenham a capacidade de lhes fazer passar os valores que poderão fazer deles uns homens e mulheres extraordinárias no futuro. :)

Beijos corvita
PrincesaVirtual a 20 de Junho de 2006 às 09:40

Muito actual. Parece-me que quando tinha a idade destas crianças
existia uma diferença enorme para a geração dos meus pais, mas mesmo
assim muito mais pequena do que a existente agora. Inclusive temos o
problema da diferença de classes ser cada vez mais acentuada ao ponto
de uma consola portátil custar neste momento mais de metade do ordenado
mínimo e a dita ser praticamente vital para uma criança cool ". O
resultado pode ser mau, já que estão tão habituados a "ter tudo" de mão
beijada mas a realidade é que, como esta desenvolvido no livro "o que
nos faz mal é bom" (ou similar posso não ter acertado no titulo) estes
vícios fazem com que uma criança de 8 anos esteja muito mais à vontade
com um computador de 5000 euros que um adulto de 40 (em termos
genéricos claro). Uma característica má é o curto tempo de vida que
estes "bens" tem. Uma televisão à 20 anos atrás, se tivesse o rótulo de
"durar só 15-20 anos" levaria a que ninguém a compra-se mas hoje é só
ver a quantidade de plasmas que saem dos nossos centros comerciais.
Mesmo assim acho que se trata de somente evolução, que na realidade
leva a um envelhecimento precoce dos bens mas, noto, um desenvolvimento
intelectual grande e ávido. Mas mesmo assim não concordo com a pessoa
que disse "o futuro a Deus pertence", pois neste caso a nós nos
pertence. Não pensemos que a limitar o acesso das crianças a estes
"brinquedos" lhes estamos a fazer somente bem, pois, na devida
proporção, estes são os "brinquedos" que deveríamos ter tido na idade
deles para melhor preparar o tal adulto de 40 anos para o tal do
computador.
Prior Velho a 20 de Junho de 2006 às 16:17

Apesar de não publicar nada no meu território nada me impede de te visitar o teu.
É que sabes.... gosto mesmo muito.

Beijocas e inté.
Espectro #999 a 23 de Junho de 2006 às 00:12

Apesar de não publicar nada no meu território nada me impede de te visitar o teu.
É que sabes.... gosto mesmo muito.

Beijocas e inté.
Espectro #999 a 23 de Junho de 2006 às 00:13

Apesar de não publicar nada no meu território nada me impede de te visitar o teu.
É que sabes.... gosto mesmo muito.

Beijocas e inté.
Espectro #999 a 23 de Junho de 2006 às 00:13

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