There is always more then meets the eye!

17
Mar 09

@Para alguém muito especial que prova que ainda existem pérolas escondidas...

Amanhã levas o livro... hoje aqui fica a personagem com cheirinho da mulher que a inspira...

 

 

Where have you been all of my life... turururu...rururu

Havia poucas coisas na vida que tinha como certas. Funcionavam como pequenas âncoras que me seguravam nos momentos de dúvida, melancolia, incertezas e desgostos, momentos de tristeza e raiva.
Tinha os meus amigos e a minha família e o sentimento profundamente enraizado de amor e certeza de que podiam falhar todos os outros aspectos da minha vida mas esses estariam lá sempre, nem que fossem somente memórias doces ou mesmo banais e já muito nebulosas.
Tinha a minha capacidade de amar que transcendia em muito  a sorte que tinha no amor o que nem importava muito... continuava a amar e a apaixonar-me por todas as coisas.
Tinha gostos extensos e pouco main stream. Não era assim por opção mas intuitivamente gostava de coisas ecléticas, desconhecidas, informais... quase outkast.
Acima de tudo tinha como certo que a idéia que tinha de mim era muito diferente daquela que faziam aqueles que me conheciam.

Estava um nevoeiro espesso como a espuma do meu expresso e suspirei enquanto imaginava a humidade a encaracolar o meu cabelo assim que colocasse um pé fora do café.
Olhei para o relógio e percebi que já estava atrasada. Teria de apanhar um táxi, lá se ia o orçamento. Corri para a rua e mesmo no meio de todo aquele nevoeiro apareceu um.
Tinha dois empregos: era tradutora freelance para uma companhia de produção e trabalhava num pub onde actuava nas noites de “open mic” sempre que alguém precisava de um acompanhamento em viola ou baixo.

Depois de uma reunião chata que resultou numa enorme dor de cabeça e numa volumosa pasta de material a traduzir sai novamente a correr para o segundo turno.
Ao contrario do costumeiro fim-de-tarde pachorrento que eram as 3ª feiras não conseguia entrar pela porta principal e tive de ir pela de serviço.
Havia tanto que fazer atrás do balcão que nem tive tempo de perceber o que se passava. As empregadas de mesa davam risadinhas nervosas e diziam que ele ali estava.
Mais um actor ou alguém assim... estávamos perto de Leicester Square não era de admirar. Era um fru-fru imparável e o gerente da sala agradeceu-me não ter ficado eclipsada.

Céus até dizer o nome dele em voz alta me fazia cócegas no céu da boca.
Mais uma vez... uma história de era uma vez!
Era uma vez um rapaz e era uma vez uma rapariga!
O ele estava de beanie de tricôt negro na cabeça, os jeans gastos, os tênis pretos novos em folha e um casaco pesado. Entrou apressadamente para a cozinha e dirigiu-se a mim com um olhar de “ajudem-me!”
Belisquei-me e imaginei o meu rosto vermelho pimentão.  Seria uma miragem?
Pode indicar-me uma saída discreta?
Ele estava mesmo a falar comigo. Tonta, dai o comentário do eclipsada – Pode sair pela porta de serviço. Quer que o leve lá?
Ele acentiu seguindo-me. Eu ia enrolando o cachecol ao pescoço e apertando o casaco. Sai primeiro para o beco e certificando-me que não havia ninguém. Percorri-o e assinalei-lhe que o caminho estava livre, e segui para a esquerda. Fui imediatamente abordada por papparazis e uma imensidão de mulheres. Já se tinham apercebido da sua ausência lá dentro. Segui sem dizer nada, esperava que ele tivesse escapado.
Uma daquelas coisas estranhas que só nos acontecem em sonhos tinha acabado de me acontecer a mim. Lindos olhos... tinha que ligar à minha amiga e contar-lhe, especialmente contar-lhe do sotaque.
Depois da realidade, sonhei com ele toda a noite. Como uma adolescente, que já não era. Sonhei com o homem e não com as personagens que interpreta.
Passei o dia na produtora e quando cheguei ao pub estava o mesmo marasmo do costume aquela hora. Apareceu uma ou outra rapariga à procura dele, a notícia tinha-se espalhado.
Os dias seguintes foram sendo cada vez mais parecidos com  aquele que era o funcionamento habitual e dele nem sombra. Afinal porque voltaria ele ali?
Na semana seguinte John, o cozinheiro, partiu o pé enquanto estávamos na pausa de 15 minutos. Tentava fazer um malabarismo com tomates. Como sempre a calçada estava escorregadia  da chuva miudinha que caia insistentemente todo o santo dia. Sempre achara os britânicos um tanto ou quanto loucos mas este John era realmente desvairado.  Eu e a Sam fomos dispensadas até terem novo cozinheiro e assim pude aceitar trabalho como interpréte numa série de eventos para promover aquele que seria o novo blockbuster da minha miragem com beanie.
Viu-o de passagem na 1ª noite. Estava com um director de estúdio norte-americano que odiava actores e guionistas e tudo o que não fosse ou ele próprio ou lucro. Logo, passei a noite a traduzir números para italiano e espanhol e a ouvir piadas acerca das minhas sardas.
Nas noites seguintes ele e o elenco não estavam presentes e eu pensava que a vida tinha voltado ao normal.
Quando me ligaram da produtora a pedir que fizesse novamente de interprete numa reunião apetecia-me manda-los passear. Quase não dormia à uma semana e pouco tinha ido à faculdade. Mas não podia dizer que não a Miss Bronte e ao pagamento, sabia que era generoso, muito generoso.
Na reunião estava todo o elenco(ele sem beanie), a equipa de produção e realização, o tal big boss americano egocêntrico e a equipa de marketing. Falando todos eles a mesma língua não percebia o porquê da minha presença.
Que se lixe!- pensei eu enquanto me servia de mais uma chávena de café, o pagamento era tão bom que podia parar os turnos duplos no pub e ficar desafogada por uns tempos. Quando ele falou comigo entornei o café na minha camisa branca. Entre pedidos de desculpas e  tentativas de me secar ofereceu-se para me emprestar uma que tirou de uma sacola. Já imaginava a minha cara vermelha. Alias o rubor devia já estar instalado da raiz dos cabelos à pontinha dos dedos dos pés.
Com a camisola dele vestida continuei na reunião entre olhares cruzados e um ou outro sorriso maliciosos. Felizmente só me pediram para traduzir as notas das secretárias porque estava inebriada com toda aquela atenção. Ele convidou-me para jantar com ele e uma vez que eu voltava ao pub, combinamos uma ceia tardia.
O turno passei-o em alvoroço repreendendo-me sempre pelas atitudes juvenis infundadas, ele era um homem como os outros. Quando ele não apareceu no fim do meu turno esperei um pouco na rua mas acabei por aceitar boleia da Sam e do Nat.
Depois de um duche e de muita autopenitência por acreditar em contos de fadas modernos, enrolei-me num roupão e aterrei no sofá. Foi com surpresa que o vi do outro lado da porta às 3 da amanhã com um cesto de piquenique na mão. Ok desta vez estava mesmo a sonhar.
Quando finalmente abri a porta ele já se dirigia ao elevador e eu corri atrás dele envolta num roupão de banho pelo corredor a sussurar o nome dele e um wait, wait. Quando ele se virou ao invés de me sentir ridícula ou feia sentia-me enlevada e ofegante mas não da corrida. Segundo ele tinha-se atrasado e conseguiu a minha morada com a Miss Bronte. Entramos para a minha minúscula sala e lá ficamos: ele no chão e eu no sofá. Percebi que entretanto amanheceu pois pelas frestas da janela entrava já a primeira luz difusa da manhã. Parecia-me um sonho, saberia ele que era uma admiradora do seu trabalho? Que eu pobre mortal que estava a conversar com ele há mais de 5 horas seguidas, e flirtava timidamente, já tinha visto todos os seus filmes. Que tinha aliás alguns na minha estante?
Felizmente passamos mais tempo a falar de livros e de musica, se ele olha-se para debaixo da tv veria um dos seus últimos filmes em blue-ray. Acho que ai sim eu ia ficar sem bochechas tal a afluência de sangue.Ele era surpreendentemente complexo e fluente não me parecia muito afectado pela fama e sucesso. Peguei-lhe no pulso e olhei para o seu relógio. Já estava atrasada de novo. Dei um pulo do sofá e apercebendo-se da minha pressa ofereceu-se para me dar boleia. AO entrar no wc não devo ter fechado conevientemente a porta, o que ele pensou ser um convite para entrar. Vi-o pelo espelho quando me levantei de calçar as botas. Estava com o torso desnudo e sem pensar tapei os seios com uma mão e a boca com outra. Corei, para não variar e estremeci quando ele passou a mão pela tatuagem que me serpenteava as costas. Baixei os olhos e fiquei literalmente sem um único pensamento no cérebro. Nem sabia como respirar. Não conseguia tirar os meus olhos dos dele. Estava refém do espelho.
Quando ele levantou os braços e despiu a camisola senti uma corrente electrica percorrer-me.  Saiu-me um não sussurado quando ele estendeu as mãos na minha direcção e sai da casa de banho a correr. Não ia ser uma conquistazinha! Ele que me tomasse como uma louca que não queria nada com ele. Sim eu mera mortal louca! não aceitar sexo, de certo maravilhoso, com um deus do Olimpo... porque... bolas, ele parecia mesmo sê-lo mesmo depois de uma noite em claro. Acabei de vestir-me e estranhei não ouvir a porta bater. Ele estava no sofá com uma chávena de café nas mãos e um olhar entre o divertido e o estranho. Fiquei morta de vergonha e nem sabia o que dizer. Percebia que tivesse dado a impressão errada. Talvez não tivesse disfarçado a minha admiração assim tão bem.
Falamos ao mesmo tempo. Ambos a pedir desculpas e rimo-nos. O embaraço inicial desapareceu. Expliquei-lhe que a porta nunca fechou bem, que desculpa-se o mal entendido.
Ele perguntou-me se sempre queria a tal boleia e saímos os dois em silencio.
Aparentemente o sonho tinha acabado. Entrei num Mercedes descapotável, o que era ridículo em Inglaterra. Estava sempre a chover quando ia tirar a capota: na garagem? Ele apercebeu-se e explicou-me que o carro não era dele. Era alugado até terem promovido o filme. Deixou-me à frente da biblioteca da faculdade e eu agradeci-lhe a noite simpática.
Percebi que ele tinha ficado realmente chateado e não insisti em mantê-lo ali. Sai para a chuva e entrei a correr na biblioteca. Parecia que afinal sempre tinha o seu quê de menino mimado e muito problemático. Encontrei-me com o meu professor orientador. Ele era um daquele s quarentões que adoram alunas de mestrado e tem uma aura muito intelectual e  sensual. Bem, eu gostava das nossas conversas e nada tinha a dizer da forma como me tratava. Combinou encontrar-se comigo no pub antes do meu turno começar com alguns livros que me poderiam ajudar. Afinal nem tudo era mau!
Quando entrei no metro já tinha mergulhado na melancolia. O toque dele persistia na minha memória e ... na minha pele. E os seus olhos azuis... tão quentes e doces... o riso rouco... as nossas conversas madrugada a dentro. Entreguei os materiais traduzidos a miss Bronte e recebi os meus cheques. Ficamos a conversar um pouco e fui-me embora.
Fui a casa buscar o computador e mudar de roupa. E se estava melancólica anteriormente... quando me apercebi que o perfume dele estava entranhado naquele cubículo... arrependi-me de ter querido ser diferente das outras mulheres que devem orbitar em seu redor. Raios devia te-lo possuído com a lúxuria e a curiosidade de um cientista condenado ou de uma ninfomaniaca. Ri-me , não fazia sentido nem para mim. maldita timidez e estranha forma de ser a minha. Ele iria lembrar-se por certo de mim, a doidinha que dava os sinais errados.
Estava embrenhada em livros com o meu professor quando recebi uma mensagem dele a perguntar se amanhã estava livre para o pequeno-almoço. Parecia que Bronte tinha dedo nisto também. Sorri mas respondi que não. Se por tão pouco tinha ficado no estado em que me encontrava agora nem queria imaginar se por acaso algo mais acontecesse entre nós. Se ele fosse mesmo o que aparentava ser alguém tão idêntico a mim. Era uma ilusão mas eu era a borboleta e ele o sol. Não queria queimar as asas. O meu lado consciente lutou com o meu lado sonhador e apaixonado durante toda a noite e o adormecer foi dificil. Passaram dois dias em que o telemóvel esteve mudo, no que lhe dizia respeito. Tornava-se dificil entrar na sala ou na casa de banho. Tonta!


No Sábado há noite era a ante-estreia do seu filme.
Estava a meio do jantar pré- teatro com alguns amigos quando miss B. me ligou dizendo que precisava muito de mim. A interprete italiana não tinha aparecido e tinham jornalistas e uma comitiva de políticos italianos por lá. Lá se ia o meu jantar fino.
O meu traje não era o mais indicado mas se não tirasse o casaco e o cachecol ninguém repararia no decote do vestido. Já no meu cabelo indomávelmente encaracolado....
Miss B recebeu-me com um sorriso agradecido e ajudou-me a fazer um coque no meu cabelo indomável. Adorável senhora! Sabia que ela poderia arranjar outra interprete mas sabia que precisava pagar as propinas e toda a imensidão de contas que se paga quando se teima em ser independente.
Acompanhei de perto a comitiva política enquanto o via pelo canto do olho, deslumbrante com o seu fato Armani  dando entrevistas, assinando autógrafos e sorrindo para as fotografias.  Quando entrámos no Odeon entreguei os auscultadores com a versão áudio do filme dobrada e despedi-me do grupo italiano.  Gostava de ficar e ver mas já não era ali necessária. Fiquei de fora como as restantes interpretes e conversávamos enquanto esperávamos por miss B. Esta tinha ainda necessidade dos nossos serviços para a festa que se seguia. Lá se ia também o teatro!
Sai para ligar à Julie, parecia-me que ia necessitar de companhia depois daquele serão. Estava um grupo a fumar na rua. Virei-lhes as costas enquanto falava com ela. Olhei para o relógio ... ainda ia demorar a terminar. Voltei a entrar e fui caçar café. Aparentemente ele também.
Foi bastante cordial e apresentou-me ao actor ao seu lado. As outras raparigas já se encontravam ao lado deles. Pedi um expresso duplo mas como é lógico a empregada não sabia mexer na máquina. Fui eu tirá-lo e instalei-me num dos sofás. Estava, como sempre em todo o lado, o aquecimento demasiado alto. Tirei o casaco e o cachecol antes que derretesse e comecei a procurar o livro que trazia na mala. Senti o sofá afundar ao meu lado e desviei os olhos do livro.
Queria saber que estava eu a ler. Um livro sobre fadas modernas. Ele perguntou-me se admirava o género e percebi o que estava implícito. Sorri um sorriso rasgado e completamente vermelha respondi-lhe que sim e que tinha a saga completa dos livros em que se baseava a personagem dele. E sim sabia que ele não era a personagem tal como não era nenhuma das outras que já tinha protagonizado. Ele tocou-me na hera que subia pelo meu pescoço e se aninhava na minha nuca.
-Gosto mesmo da tua tatuagem!- e ficamos assim os dois a olhar um para o outro. Desta vez sei que não era palavra que não sairia da minha boca.
Vieram busca-lo porque o filme estava a terminar. E eu fiquei ali vermelha sem saber o que fazer. Pus o cachecol, estava de tal maneira acelerada a minha respiração que os meus seios pareciam querer saltar do decote.
Não nos cruzamos mais naquela noite até eu conseguir finalmente ir embora. Meti os italianos já bêbedos na limusine e pedi que me chamassem um táxi. Por mais segura que seja uma cidade às 5 da manhã vaguear pelas ruas é loucura. Uma enorme limusine parou junto à entrada do hotel. Que não fossem outra vez os doidos dos italianos. Era ele. Iam continuar a comemoração eu era convidada. Entrei e quando passei por ele sussurrou ”a tatuagem também”. A limusine deu a volta ao quarteirão e voltou a entrar no hotel. Ele estava lá hospedado mas assim ninguém saberia. Percebi que nenhuma daquelas caras era conhecida. Enquanto subíamos entendi que eram amigos dele, comuns borboletas como eu. Passámos o tempo a brindar e a conversar. Ele e dois amigos continuavam a discutir música mudando constantemente de cd quando percebi que já era perto do meio-dia. Tinha que ir. Ele levou-me ao elevador descalço e desgrenhado. Aquele cabelo era uma escultura de arte pós moderna. Encostei-me à parede enquanto esperava pelo elevador e ele colocou um braço sobre a minha cabeça e aproximou-se.
Sabes acho que és ainda mais desajeitada nesta coisa que eu. Ou estás a jogar ao gato e ao rato?


Não faço jogos. Não tenho sorte ao jogo.
Hum...
Senti a mão dele a subir pela minha coxa até encontrar o fecho do vestido e puxa-lo lentamente. Passou a mão pelas minhas costas e percebeu o que eu já sabia, não tinha obstáculos.
Hoje vou para Paris. Vou ter saudades dela posso despedir-me?- virou-me lentamente e beijou toda a superfície da hera nas minhas costas. Esta parecia ganhar vida com a respiração quente na minha pele. Parou na nuca e virou-me para si. Desta vez acariciei-lhe o cabelo. – Queres vir comigo?
Tentador, muito tentador mas não posso. – por esta altura beijava-me o pescoço. Ainda cometia um atentado ao pudor ali mesmo. E dizia que não tinha jeito para seduções. Treta para vender revistas, ele estava a sair-se muito bem.- Mas prometo estar por cá quando voltares... não vás ter saudades da tatuagem.
O maldito elevador chegou. Ele puxou-me o zíper e deixou a mão na minha nuca.
- Tens certeza?- acenti que sim. – Até daqui a dois dias então!
O resto do dia passou e apercebi-me de que tinha terminado quando o Nate e a Sam me deixaram em casa. Tive sonhos deliciosos nas duas noites que se passaram. E durante o 3º dia estive em ânsias que o telemóvel tocasse. Estava a sair da produtora quando a miss B me disse que esperavam por mim na sala de media.
Ele estava lá sentado numa das poltronas. Para alguém desajeitado ao andar ele moveu-se com a graça de um felino. Pus-me em bicos de pés e beijei-o. Porque não? Já estava perdidamente enredada nas teias dele. Aquele homem sabia beijar, se houve cursos de beijo na boca ele tinha um diploma de mérito. Ficamos a beijar-nos nem sei quanto tempo.
-Vamos sair daqui?- acenti.- Encontra-te comigo na garagem em 10 minutos.
Respirei fundo e prendi o cabelo que em algum momento tinha ficado emaranhado. Compus a roupa e sai.
Miss B piscou-me o olho e disse-me para descer até ao primeiro nível.
Um motorista abriu-me a porta de um enorme mercedes. Ele começou a conversar comigo e eu fiquei a pensar se teria sido imaginação minha a fogosidade do beijo minutos antes.
-Hum... onde vamos?
Ele sorriu: -Para o hotel?
-Ok!
Ele pegou-me no rosto e beijou-me de forma doce. O carro parou.
Encontro-me contigo na suíte da outra vez.
Havia flashes por todo o lado. Subi pela garagem e ele esperava-me à porta do elevador. Se da outra vez eu ia cometendo um atentado ao pudor desta fez... cometi mesmo.
 Cometemos...
O tempo passava entre as idas e vindas dele e a minha recusa em acompanha-lo. Não sabia em relação a ele mas eu estava perdidamente apaixonada. Lá se iam as asas!
Começaram a surgir rumores de uma relação dele com uma actriz/modelo. Poucas pessoas sabiam do nosso “relacionamento” e eram ou amigos dele ou meus amigos.
Fiquei com ciúmes mas não disse nada.
Um dia disse-me que ia acompanha-lo a uma estréia. Pensei que seria como das outras vezes em que eu me manteria à parte com a agente dele. Mas desta vez não me largou e apresentou-me orgulhosamente como a sua namorada. Imaginei a cara das minhas amiga em Lisboa e sorri.
Assim que pôde, estando indecisa entre espanca-lo ou beija-lo... beijei-o!
E entre a dúvida entre o viviam felizes para sempre e a negação dessa hipótese decidimos que o viver feliz por agora era o ideal para ambos. Afinal... ambos adorávamos o “Last kiss” dos Pearl Jam...
Talvez fossemos os últimos parceiros de beijo um do outro.

       



 

publicado por crowe às 22:07
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