There is always more then meets the eye!

10
Mar 06

“You feed yourself. Make sure you have all the information, whether it's aesthetic, scientific, mathematical, I don't care what it is. Then you walk away from it and let it ferment. You ignore it and pretend you don't care. Next thing you know, the answer comes.”-Ray Bradbury

 

Quando entrei no carro as gotas de chuva deslizavam como lágrimas grossas e sentidas por todas as superfícies ao meu redor! O interior cheirava a flores frescas (as janelas tinham ficado abertas) e os bancos traseiros estavam salpicados. Uma manhã feliz com um começo choroso, não deixava de ser irónico e realmente típico… era como a vida… sempre ao contrário… nada de sinais sinónimos… mas muitos controversos e antónimos. Era a vida… numa das poucas regras iguais para todos os seres humanos.

Fui a primeira a chegar ao café, a primeira a pedir e a ser servida e quando todos os outros chegaram eu ainda sentia o calor da tua respiração no meu umbigo. Enquanto falávamos do último livro que tínhamos combinado ler para o nosso clube eu ria interiormente. A Teresa falava do Ray Bradbury como se fosse um condenado ímpio da compreensão dos restantes mortais, a Rita como sempre não tinha lido o livro todo, o Daniel, o Paulo e o Pedro reclamavam com ela e com a Teresa. O Tomé olhava para mim cúmplice, tinha partido dele a proposta, logo secundada por mim logicamente!

- Importaste de dizer algo de construtivo Tomé? Ou a Ana, a Ana podia dizer algo! – Pedia já desesperado o Tiago.

Com a cara mais séria e contendo a custo um sorriso lá me saiu:

-“At 7 a.m. all my voices start talking inside my head, and when it reaches a certain pitch I jump out and trap them before they're gone. Or I shower and then the voices talk. You solve problems not by thinking directly of them but allowing them to ferment in their own time.” Palavras do Bradbury! Eu tenho ideias sobre o livro, opiniões diversas mas o que estou a maturar na minha cabeça são as vossas frases soltas.

 

A Teresa largou o scone aproximou-se de mim e de uma forma que só ela conseguia proferiu:

- Ela hoje não dormiu! Tem na cabeça a germinar ideias… hum…

Olharam todos para mim. Era verdade tinha dormido muito pouco e se eles soubessem do restante…

Enquanto dormias reparei no aro pálido do teu dedo anelar, era a primeira vez que íamos à tua casa e que ficávamos juntos mais que umas horas. Passados alguns minutos da minha aparente descoberta eu saia da tua casa deixando o seguinte bilhete sobre a almofada emprestada sobre o tapete em frente à lareira, que alimentei de madeira:

Não gostaria que a tua esposa aparecesse e encontrasse coberta e aquecida pelo deu mais que tudo alguém que não ela. Saí e não deixei nenhum vestígio meu à excepção do bilhete, que agradecia que queimasses! As maiores felicidades e da próxima vez não tragas à casa da tua esposa outra mulher, existem hotéis!

 

- Sim dormi pouco mas o Bradbury não tem nada com isso! Estava a pensar na ironia que se mantém: Montag é um bombeiro que queima, por ordem do governo, livros! Odeia-os! Esta dicotomia só por si é notória, um bombeiro que ateia fogos! Vive numa sociedade fútil que vive para a televisão, não lê porque é proibido e não conversa sobre sentimentos…quando querem denunciar um leitor colocam o seu nome na caixa do quartel de bombeiros e assim destroem uma vida! Tudo isto… é irónico… cobarde e pérfido!

- Ahhhhhhhh…o livro é sobre isso? Pensava que ele se apaixonava pela miúda do lado e deixava a mulher que tinha aqueles ecrãs todos de televisão! – dizia a Rita.- Ana, vou começar a ler os livros inteiros! Contem-me lá o resto!

O Tomé ria-se e lá lhe contou. A Teresa continuava a bater na mesma tecla: malvado Bradbury! Ímpio!

O Pedro, o Tiago e o Daniel mantinham com ela uma conversa paralela e o Paulo insistia com ela que estávamos a discutir o Fahrenheit 451 e não outros livros ou contos. Eu ria interiormente pois parecíamos um bando de tolos que não sabiam o que diziam: funcionávamos no caos. A mim o que me incomodava era o facto de ter feito parte de uma ironia da vida e não me sentir triste, frustrada. Só estava zangada por não ter podido decidir com conhecimento… ter sido enganada!

A Rita suspirou finalmente quando lhe contaram o fim do livro!

-Poético! Justiça poética… ainda bem que ele sobrevive… coitado!

- Se pensarem bem… não estamos muito longe deste mundo ficcionado!

Eles olharam-me como se a noite em claro me tivesse adormecido os neurónios.

- Reflictam comigo: Actualmente quantas pessoas conhecem que escrevam, telefonem a dizer que têm saudades? Quantos dizem o que pensam ou conversam só porque lhes apetece? E ler? Bem, poucos lêem! Somos culpabilizados pelo tempo que passamos a ler e não num ginásio, num solário…

 

O Tiago completou:

- … Realmente corremos o risco de numa década próxima alguém escrever uma crónica com um teor idêntico… com graus Fahrenheit para os inglese e americanos e Celsius para os europeus e restantes. Seremos as gerações pós Bradbury que queimaram sem fogo o pensamento…e tudo o resto…

 

Parámos para pensar… e ficamos em silêncio…

 

Enquanto dormias… eu estava entre amigos… a queimar não os sentimentos mas a culpa por algo de que não sabia…Os meus pensamentos formaram-se sozinhos e descobri em poucos minutos aquilo que a minha mente já sabia fragmentariamente: o aro pálido no teu dedo anelar esquerdo tinha um significado!

“You

publicado por crowe às 23:29
tags:

A tua imaginação pra contar esses contos me surpreende sempre...lindo!
bjus
Jor:)Jor
(http://fotolog.terra.com.br/jorlua)
(mailto:bianca_beltramelli@yahoo.com.br)
Anónimo a 28 de Março de 2006 às 22:14

Clap, clap, clap... como eu aprecio ler-te! Beijos GIRA!Lobaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
</a>
(mailto:celiasousa@msn.com)
Anónimo a 20 de Março de 2006 às 19:45

Faço minhas as palavras do VLAD :) beijospluma(princesavirtual)
(http://www.princesavirtual.blogs.sapo.pt)
(mailto:plumacaprichosa@hotmail.com)
Anónimo a 15 de Março de 2006 às 20:55

Só posso dizer... muito, mas mesmo muito bom ! ;)Vlad
(http://naoha3semduas.blogs.sapo.pt)
(mailto:thevlad@sapo.pt)
Anónimo a 13 de Março de 2006 às 14:45

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